domingo, 20 de abril de 2014

Definições de livre arbítrio, quais são?

será que interpretamos certo a nossa liberdade?


Como toda boa filósofa prepotente de barzinho (barzinho? Não... de banquinho na sombra!) algum dia eu me questionei sobre livre arbítrio. Ora, existe ou não existe? Mito ou realidade? Estou escrevendo isso porque eu quero ou porque eu me sinto pressionada externamente a mostrar aos outros que eu também posso filosofar?

Eu bem poderia tomar um conhecimento "técnico" desse conceito tão famoso e dar minha vã opinião. E eu o farei, alguma hora. Porém, vou abster-me dessas dúvidas sobre verassidade e vou começar de um ponto que me chamou atenção -a definição de livre arbítrio.



Tem-se a idéia de que livre arbítrio é o poder de poder de decisão, ou ao menos é isso que me foi ensinado. Segundo diversas religiões, o livre arbítrio foi nos dado por Deus para que nossas ações refletissem nossa consciência, ou a falta desta, ou mesma a ignorância a esta, e então Deus poderia nos julgar. Não posso dizer com certeza se, segundo as religiões cristãs, a intenção do livre arbítrio é essa -de conferir um julgamento após um ato. Suponho, pessoalmente, que não seja esta a intenção divina, mas, sim, uma caridade aos humanos, um poder de decisão sobre o meio (logicamente, eu agora estou morrendo de vontade de focar neste subtópico, mas serei forte). Porém, tais questões estão além de meu conhecimento e indagação.

Com base nisso, há correntes que dizem que o livre arbítrio não existe, e poderia apenas ser uma invenção religiosa, ou social, para responsabilizar um ator pelos seus atos. Ao contrário, há afirmações de que as decisões do ser humano são baseadas no meio físico, nas suas necessidades e em pressões externas, por exemplo, as pressões sociais. Logo, a escolha humana adqüiria um caráter determinístico.

É claro que há n fatores que influenciam em ações humanas. Mesmo o organismo poderia influenciar, e uma pessoa com transtorno obsessivo compulsivo pode não conseguir para de realizar uma ação mesmo querendo, por exemplo. O medo de realizar uma ação que seria rejeitada numa sociedade, por exemplo, matar alguém que esteja lhe irritando, também pode ser suficiente para mudar uma escolha que seria natural de um indivíduo (o que, convenhamos, pode não ser tão ruim na prática). Os exemplos de escolha condicionada a algo externo são tantos que acredito não ser necessário repercutí-los.

Tomando por esse lado, seria quase certo que o livre arbítro não existe. Mas quem decide do que gosta? Quem decide qual música ouvir no rádio? Quem decide qual filme assistir, quando se está só? Me parece evidente que escolhas existem. Mesmo que seja apenas seu sistema nervoso dizendo algo do tipo "segundo suas memórias, isso é mais prazeroso que aquilo, então escolha isso", nós estamos em um meio -e em um corpo- que permite um certo grau de decisão. Talvez não seja mágico como alguns querem crer; não seja tão misterioso. Algorítmos inteligentes, baseados em sistemas neuronais biológicos, usam a "memória" para tomar decisões futuras. Quiçá, tristemente, não sejamos muito diferentes disso, e nosso cérebro toma suas decisões a partir de suas experiências passadas, o que não exclui o fato de uma decisão ainda ser um pensamento feito em nosso íntimo.

(morrendo de vontade de falar sobre a questão das nossas decisões serem racionais ou não... tenho que resistir)

Mas, talvez, estejamos dando uma interpretação errônea ao motivo quase místico do livre arbítrio.

Arbítrio, do latim arbitrium, segundo wikinary, quer dizer escolha, decisão; sentença; julgamento, entre outros ainda menos prováveis como atitude precedente. Mas prestemos atenção em "julgamento".

O que pensaria se lhe dissesse que você tem livre julgamento? Que cada indivíduo julga uma ação, um objeto, um sujeito de forma livre? Mudaria alguma coisa?

Mudaria o fato de que, se alguém, tomado de raiva, quisesse matar outrém, mas se contivesse, pois sabe que isso lhe causaria problemas pessoais, esse indivíduo ainda teria o mesmo julgamento sobre matar: suas ações podem não refletir sua vontade, mas seu julgamento independeria de suas ações.

Alguém poderia colocar muito bem que o meio também altera o julgamento. Graças a sociedade e a tradição, muitos julgam um casamento entre pessoas do mesmo sexo como errado -poderia-se afirmar como exemplo. Mas eu resguardo algumas dúvidas em relação a isso. Não sabemos o que há na mente de uma pessoa: esta, com medo do ostrascimo, poderia afirmar o que acha certo e errado de acordo com o que lhe é falado, mas poderia ter uma opinião íntima diferente. Poderia mesmo não execer qualquer julgamento e esperar que um conhecimento futuro desse-lhe alguma ajuda nisso. Tal indivíduo não estaria, ainda, em posso de seu livre julgamento? Afinal, o julgamento é de cada um, invisível, mostra-se apenas se o quiser (e poder).

Acredito que possamos nem sempre ter uma idéia plena de nossos juízos. O que não necessariamente vá ferir nossa liberdade em julgar, mas talvez mostre que nem tudo é preto no branco. O fato de eu não ter uma plena noção de que matar um animal para comer é realmente bom ou não pode inferir  que a moral por detrás disso dependa do sujeito. E, neste caso, podemos julgar a questão como quisermos, e nosso julgamento só dependerá de nós. Em outras palavras, nossos julgamentos podem não ser absolutos, mas isso ainda não iria terminar com a liberdade de tê-los como acharmos melhor.


Por fim, a reponsabilidade moral aparenta depender do julgamento de cada um. Ainda que, na nossa sociedade, uma sentença do Sistema seja feita a partir dos atos e considerando a intenção de um sujeito, e não apenas da intenção deste. Contudo, se nos atermos à visão religiosa, um livre julgamento reportaria exatamente por onde anda nossa consciência. Não seria conveniente, então, que nossos julgamentos fossem um conjunto separado de nossas escolhas, e que podem ser feitos livremente, escondidos (escondidos é quando mostramos quem verdadeiramente somos, não é o que dizem?) e delatando cada passo moral que tomamos apenas a nós mesmos?



Afinal, o que é livre arbítro?



sábado, 19 de abril de 2014

Postagem quase tweet



Me amo tanto, mas tanto, que se encontrar alguém igual a mim, vou achar que essa pessoa é muito melhor que eu e merece alguém superior a mim.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Medo e fantasmas

com muita raiva

Certa vez, há quase 10 anos, uma professora minha da escola contou uma história que ocorrera com uma irmã dela.
Elas moravam numa casinha no interior, com alguns irmãos, irmãs e a mãe. A irmã em questão tinha um bebezinho. E esse bebezinho, por vezes, custava a dormir. A fim de fazê-lo dormir de qualquer jeito, a mãe dele girava-o: punha ele no colo e começava, ela mesma, a girar, girar, até que a tontura fizesse o pequeno dormir.
A avó dele se preocupava com isso. Ela dizia que girar um bebê atraia más energias, não se fazia isso. A filha, incrédula, não ligava, e continuava rodando seu bebê no colo.
Até que...
Numa noite, na pequena casa, enquanto todos dormiam, a mãe daquele bebê ouviu alguma coisa e acordou. Ela ouviu, vindo de fora da casa, passos se aproximando. Desesperada, tentou acordar todas as irmãs que também dormiam naquele mesmo quarto. Mas foi em vão. Ninguém acordava.
Os passos continuaram se aproximando. Ela ouviu um vaso, perto da escada que dava para os quartos, quebrar. E os passos se aproximavam vagarosamente...
Completamente tomada pelo medo, sem conseguir acordar ninguém, aquela mulher fez a única coisa que se restava a fazer: cobriu a cabeça com o lençol e pôs-se a rezar, rezar desesperadamente!
Enquanto chorava em suas orações, a pobre moça ouviu a porta se abrir. Passos vagarosos se aproximavam dela. Mas, felizmente, suas orações pareciam ter chamado algum bom anjo. Quando, o que quer que fosse se aproximou da jovem em prantos oradores, ela sentiu que aquilo desaparecera. Timidamente, ela tirou o lençol do rosto e nada viu.
Ela nunca mais girou o bebê.






Não brinquei que foi uma professora minha que contou isso em sala de aula. Antes de dizer o porquê de alguém contar essa história para um bando de adolescentes impressionáveis, eu vou contar quais foram minhas impressões.



Eu fiquei pirada.

Para a sorte do blog, eu me encuco. Eu me encuco com coisas boas e ruins, meio que fugindo da realidade, até não aguentar mais.

Então, eu comecei a me encucar com o seguinte questionamento:
Se girar um bebê invoca um demônio, que outras ações poderiam, também, exaltar entidades do além?

Ora, girar um bebê não tem a menor relação linear com um espírito maligno vir atrás de quem girou. Por que, se tivesse, acho que daria pra compreender rapidamente, não? Será que girar um bebê abre um vórtex invisível para a matéria negra, causado pela respiração do bebê na velocidade de 4,323pi/segundo, que é a frequência do momento das ondas de energia escura, e entre a matéria escura existe um mundo paralelo, e um demônio pode se sentir convidado a tomar um chá com quem girou um bebê, ou entrou pra pescar humanos... ???

Como é que alguém vai saber disso?

(aqui, esse tema é ótimo para o que eu vou continuar a falar, perfeitamente tragicômico!)

 


Girar um bebê invoca um ser do mal. O que dirá então de olhar por debaixo da porta? Com certeza deve agitar os fantasmas!
E se olhar no espelho com um olho de noite? Sem dúvidas deve ser como uma dança da chuva para poltergeists!!!
E atender o telefone sozinha em casa, enquanto come um sanduíche? Essa desperta almas que moram debaixo da casa!
E tomar café encostada na parede entre as 16 e as 24 horas? Pode atiçar os fantasmas beberrões de café, com suas mãozinhas invisíveis botando pó de fantasma no meu café, para sugar minha sanidade!
E pisar em um número ímpar de cerâmicas para se locomover? Ah, essa eu sinto que faz um desencarnado vir atrás de mim!
E se for número par? Deve vir uma alma penada pela frente, mas e se eu só a ver quando a temperatura estiver inferior a 10 graus celsius? E entretanto esse mesmo fantasma está sugando minha energia vital e me fazendo virar um zumbi, mas eu só descobrirei quando morrer?!?!?!?
E, não restam dúvidas, dormir é um verdadeiro suicídio! É quando todos fantasmas vem te olhar e assustadoramente, mas quando você vira para os ver, eles desapareceram! Melhor não dormir, você não sabe se suas atividades corriqueiras do dia não vão despertar um espiríto mau essa noite!!! D=

E eu fiquei um bom tempinho nessa vibe...


Até o dia em que resolvi olhar bem para onde eu "sentia" que havia um fantasma (tipo, atrás da porta, ou mais comum, atrás de mim), fazer uma cara de fúria e dar um soco no ar! Ah!!! Eu briguei com todos os infames fantasmas da minha casa! Nem precisei da minha mãe para isso! (ao contrário, se ela estivesse lá, eles não apareciam).
Mandei todos aqueles fantasmas irem embora! Fiz com tanta fúria, que ninguém nunca mais ousou vir me assombrar! Vão para o inferno! Ou pro céu! Tanto faz, sumam da minha casa! Ou cabeça, tanto faz também!

E, desde então, posso ir ao banheiro e voltar sozinha, à noite, que ninguém se mete comigo. Eles sabem que se arrependerão! Sem vergonhas, esses fantasmas! Ah, também não tenho mais medo de fazer atividades comuns que possam despertar esses bichos do além. Se eu fizer algo que enfureça um desencarnado, ele vai se ver comigo!!! Minha fúria é maior!



No dia em que a professora (de filosofia!) contou aquela história para a sala, ela queria dizer algo como "há muito mais entre o céu e a terra do que nossa vã filosofia", e que poderia haver coisas incompreensíveis por aí. Sinceramente, não sei como ela dorme à noite? De qualquer maneira, isso tudo foi a gota d'água para meus medo de situações incontroláveis. Não o tenho mais.

Ainda por cima, ela contou que quando a irmã dela acordou, naquela manhã, o vaso que ela ouvira quebrar estava intacto. Ou seja, foi um sonho!


Ah, imaginação... fazendo surgir fantasmas onde não tem (eu acho)...



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mini pedido de desculpas

erm...



Eu me acho. Desculpa por isso. Na verdade, eu sempre quis me achar, apesar de me achar mais, recentemente. E me sinto culpada por isso. Nem todos se acham, ou se acharão.

Volta e meia digo o que acho que está certo em uma afirmação, sem nenhum modesto "talvez", nem "quiçá" ou "quem sabe". E eu acho tudo o que acho porque eu me acho!

Desculpas, de novo.

Mas vai dar trabalho eu usar essas palavras humildes o tempo todo.

Porque, além de me achar, sou preguiçosa.

Então, perdoem-me, mas vou continuar fazendo afirmações do que acho. Afinal, o que escrevo é meu, pois fui eu que fiz, mas espero não irritar ninguém com meu achismo.

E fiquem a vontade para discordar.

Pois já que me acho, nem ligo, acho válido!


Viajando em universos, pensei...

e se houver um universo paralelo?


E eu existisse também nesse universo.
Nesse universo, será que meus pais ainda seriam os meus próprios pais, mesmo?
Se fossem outros pais, será que eu não teria outras feições?
E se fossem mesmo outros pais, teria eu outra criação, logo, outra personalidade?

E se o universo paralelo ocorresse simultamente a esse?
Meu outro eu estaria vivendo minha outra vida?
Mas e se o universo paralelo coincidir espacialmente com esse também?
E meu outro eu viver nesse mesmo planeta, nessa mesma era?
Só que eu não me reconheço pois teria outros pais, outras feições, outra personalidade.
Será que meu eu de um universo paralelo na verdade vive no mesmo universo que eu, é exatamente eu, mas eu não me reconheço?
E é paralelo apenas por causa das situações diferentes que viveu.

E se você também tiver um outro você irreconhecível?
E jamais souber disso.

Mas e se todo mundo tiver seu próprio eu de um mundo paralelo, vivendo simultaneamente, no mesmo mundo espacial, dimensional, mas noutro mundo pessoal?

E se tivermos mais de um eu paralelo?

E se forem dois, três? Quatro?
Com saber se não nos reconhecemos?

E se você for meu eu paralelo?
Ou minha mãe for meu eu paralelo?


E se muita gente for meu eu paralelo?

Mas e se todo mundo for meu eu paralelo?
E eu também seja o eu paralelo de todos.

E se todos, na verdade, somos uma só pessoa, que nasceu de outros pais, que também são essa pessoa, porém em épocas um pouco diferentes, em lugares ligeiramente distintos, ainda que seja uma pessoa só?

Quem seria eu? O que me faria ser eu em outro? Mas o que não me faz ser eu em outro?

Ora, se está num universo diferente, que tome suas decisões diferentes, pense diferente, pois nasceu de pais diferentes, logo tem uma cara diferente, uma idade diferente, um tempo diferente. Que as circustâncias nos criem!

Slawek Wojtowicz, 1997
Nos encontramos no infinito?


Como saber se não sou eu?




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sobre prazeres

com opiniões pessoais e conceitos abstratos


Eu já falei noutras postagens que aprendi um pouco a meditar. De acordo com o que li, meditar e estar conscientemente no momento presente. Isso pode parecer fácil, mas a maioria das pessoas simplesmente ignora a realidade atual delas, e vive em mundo subconsciente a maior parte do tempo! Eu vou tentar explicar melhor.

Grande parte das pessoas fica divagando sobre o futuro e/ou o passado, pensando em seus medos e desejos sem se dar conta disso. É a raiz do ego -uma entidade auto-representativa que está de acordo não com a realidade de quem somos, mas do que pensamos e interpretamos. Muitas pessoas nunca se dão conta de quem elas realmente são, muito menos de quem os outros são, ou onde elas estão, ou para aonde vão. Apenas seguem um fluxo de pensamentos praticamente autônomos em suas cabeça. Nisso, buscam incessantemente por algo que as faça felizes, que alivie seus desejos inconscientes, que as faça fugir para outros pensamentos mais suaves.

Alguém poderia perguntar "mas o que há de errado nisso?". Vou responder com uma citação:
"Não deseje e não sofra! O desejo é a alma do sofrer."
                                                     Buda               

Eu preciso afirmar que, geralmente, o ser humano evita o sofrimento e busca a felicidade?

Pois bem. Chegamos onde eu queria.


Uma vez alcançando a paz, é até fácil voltar. Mas não é trivial para alguém que nunca a tenha visto, a não ser em relances passageiros.

O espírito humano, tanto em termos espirituais quanto em termos psicológicos, procura algo que o faça feliz. Para grande parte da humanidade, ser feliz é preencher vazios com vícios, de qualquer espécie. Vícios materiais como comida, sexo capazes de fazer alguém se concentrar em um prazer momentâneo; outros vícios que fazem com que os pensamentos incessantes se tornem menos audíveis, como drogas e bebidas; vícios mais abstratos como satisfazer o orgulho em ser melhor, ou criticar os outros, ou mesmo lamuriar.

Materialisticamente falando, tem-se manias que, quando vividas, alteram as atenções da mente, ou para algum estado de êxito, que libera neurotransmissores de prazer (e isso inclui comida e orgulho massageado), ou para um estado de semiconsciência, uma evasão de fato neuronal dos sofrimentos.

Claro, alguém pertinente poderia me dizer que a paz interior também poderia configurar num vício. Digo que se o é, essa é, disparadamente, a melhor das escolhas, pois além de fazer bem a saúde, ainda impulsiona um amor para com as demais criaturinhas ao nosso redor. E ainda por cima ajuda a sermos mais eficazes em várias tarefas! Recomendo, mesmo tendo-a tão pouco experimentado (eu acho).

Voltando aos demais vícios. Quem deles é cativo, está sempre em busca de os repetir. Eu mesma, ah, comeria todo o chocolate do mundo, se pudesse (e ainda bem que existe vaidade, porque se não, pesava uns 100kg a mais!). Dependências, além de mudar configuração neuronal para algo que as espere sempre, ainda leva a uma fuga da realidade.

Já ouviram falar que pessoas ansiosas são mais propensas à obesidade?
Aqui tem 1/2 matéria sobre o assunto (literalmente 1/2 matéria, mas só li essa metade)
http://www.alimentacao-saudavel.com/ansiedade-uma-das-causas-da-obesidade-parte-1/

Pois bem, eu vou falar sobre a minha semi-ótica: quando se está ansioso, é ainda mais difícil ir para um estado de satisfação, efeito que há quando se come algo bom, uma vez que os pensamentos tomam conta do indivíduo ansioso e este não consegue prestar atenção na comida. Então, come-se mais! Uma tentativa de sentir prazer, mas cuja atenção necessária para tanto fica vaga.

Com drogas ocorre algo um pouco diferente. Provavelmente a primeira vez que alguém experimenta uma droga seja mais por curiosidade ou por alguma pressão social. Mas o bom de algo que altere sua consciência é porque é uma experiência de fuga dos pensamentos! Uma fuga da realidade da sua mente, ainda que seja para as entranhas do subconsciente, também alterado pelas drogas.

(Quando fico bêbada fico mais tagarela e risonha, além de mais inconseqüente. Mas não curto tanto, não. Eu gosto de estar em perfeita posse de mim mesma (ainda que maconha está na minha lista de experiências futuras, pshhhh...))

Por último, sobre os vícios do ego, de se por cima em relação aos outros. É algo tão complexo, já falei outras vezes, e noutro dia eu falo mais. Mas, em palavras bem generalizadas, o próprio ego é o sofrimento. São desejos e medos com base apenas em fantasias da mente. Não são possíveis de serem suprimidos, é a própria natureza de prazeres efêmeros e temorosos do ego. Ele não pode se basear em nada real sobre o que é, já que é apenas uma interpretação de quem somos, levado muito a sério por quase todos nós.

Digo isso tendo em mente que valores como dinheiro, mansões, carros, beleza ou  qualquer desses clichês são levados a sérios pelas pessoas como determinantes para a satisfação de seus egos. Mas mesmo isso varia, pois alguém pode ter mais de uma opinião sobre é belo, por exemplo. Vícios do ego...

O mais chato disso é que só se vê a matrix fora dela. Não é possível compreender o ego com ele próprio.

Basicamente, tentamos de todos os modos obter prazeres. De qualquer espécie que forem. São sempre evasões da realidade, quando não a encaramos de frente com coragem, a evitamos olhar nos olhos, com medo de sofrer, porém com a audácia de sentir algo bom. Tudo para que o que for da nossa atenção, no momento, nos satisfaça.



Porém, digo, por própria experiência, que outros prazeres (vícios menos óbvios?) como dirigir em alta velocidade, jogar, lutar, e mesmo estudar algo que se gosta, tem algo em comum com os exemplos anteriores: presta-se atenção no que se faz, no momento em que se faz. Então, que bom que se tem alguns prazeres úteis, nessa vida!



É uma questão de estar presente no momento, e encarar o que estiver acontecendo. Além do mais, são escolhas que fazemos. Podemos viver várias experiências diferentes, de quais seremos cativos?


"Eu não entendi o que é fugir? Ou o que não é fugir..."

Eu diria que não fugir é estar em plena paz interior. Não falarei sobre esta, hoje. Muito longo o assunto, fica pra próxima.

Mini auto-terapia 2

sobre para aonde vou

Uma vez eu ouvi falar que estar em barco à deriva pode enlouquecer, e que se podem passar dias, semanas meses, sem que nem ventos, nem correntezas movam um barco para outro ponto. E quando se está a bordo de veículo aquático em tal circunstância, e nada se pode fazer para mudar, algumas pessoas começam a surtar.

Eu já passei por algo assim, quando tive que trancar semestres na faculdade, duas vezes. Não tranquei porque quis, mas tive que o fazer. Por razões alheias, eu me encontrava noutra cidade, não conhecia ninguém. Também não trabalhei, nem fiz qualquer curso. Ficava em casa, olhando a internet. Parecia que eu era um fantasma, observando o mundo ao meu redor, sem interagir com ele. Via meus amigos relatando suas rotinas normais, tão comum, tão bom. Enquanto isso, eu estava à deriva, e para não enlouquecer, tive que encontrar a paz dentro mim.

Sem querer, comecei a ler algumas matérias, livros sobre meditação. Aprendi a amar o momento presente, não importando o quanto difícil este o fosse. Fiquei na paz.



Mas e se a paz for tanta que tenha apagado minhas ambições?

E se for o sofrimento que nos move para frente e avante?

Não seria a dor o motor do barco, a insatisfação o combustível, o orgulho e a vontade de ser melhor as engrenagens?

Ou, ao menos, que fossem estes as velas e o leme, e que os ventos alhures importunassem-lhe até que fugissem para águas mais calmas?

E se a calma já se fizer presente?

As velas se derrubam -cupins e descaso desmoronam-as?

Não corro o risco de afundar se vier uma tempestade?



Foi o sermão que levei da minha mãe. "Parece que tu num quer nada da vida, que vida horrível que tu ta levando! O que tu quer do teu futuro?" etc.

Mas é exatamente isso. Perdoem-me, todos, mas desde que estive à deriva e sobrevivi, nada parece me mover. Ou melhor, parece que não me movo por nada. Isso tudo me avagabundou, me deixou ainda mais comparsa da preguiça.

"Que horror, transnonsense!!!"

Por que "que horror"? Vocês, também, ou só querem saber de fofoca ou de pressões sociais de utilidade pública (com perdão à duplicidade, repare bem).


Mas está bem, eu me rendo. Eu admito que não me compraz estar tão envolvida nessa calma, nesta falta de objetividade.

"Se há algo em si que não lhe compraz, você não pode estar em paz"

Tem razão. Nisso há duas questões - a primeira diz que não me incomoda tanto assim, essa calma. A segunda diz que talvez essa paz já tenha ido embora, e agora resta uma inércia; uma preguiça. Ora, se essas velas deixaram de ser utilizadas por tanto tempo, precisam, antes de tudo, de conserto.

Ainda assim, falta-me a cólera necessária para mudar essa situação; falta-me uma voluntariedade; falta-me uma tristeza mais profunda; falta-me mesmo uma boa dose de vergonha na cara!

"Sim, vergonha na cara!"


Ignorando esse comentário, eu sinceramente desconheço solução. Quem sabe o pavor de um futuro sem frutos pudesse me mover?

Ou ter um sonho tão bom, tão puro e honesto que me tirasse do chão e me pusesse a trabalhar para alcançá-lo?


Juro que já procurei um remédio. Parece que não há muita literatura sobre como criar um sonho, apesar de que até há sobre como parar com a moleza. Talvez uma poetiza pudesse me dizer algo como "siga seu coração!". Pois a ele passo a palavra:

"AH MINHA NOSSA, QUE BOM PODER FALAR A VONTADE! Tantos anos em silêncio, tendo que me conformar com a escolha 'sensata'! Hah, agora todos saberão da minha verdade interior!"

"Pois bem, primeiro eu digo algo muito simples: eu sou feliz! Eu sou feliz por poder ver o céu, especialmente quando ele está cheio de nuvens coloridas. Eu sou feliz por ver flores, e até por tirar fotos delas. Sou feliz por sentir cada momento em mim mesmo. Sou feliz por lembrar momentos doces, e por imaginar outros ainda melhores! Sou feliz por sentir o gosto de comidas deliciosas, por sentir cheiros agradáveis e por ver paisagens bucólicas. Sou feliz em meu cerne!"

"E, apesar de sentir dores imensas em ver violências e injustiças, alguns abraços são o suficiente para que eu seja feliz de novo."

"Mas nada me faz mais feliz do que estar e conversar com quem amo! E amo tão facilmente, cada amigo, cada ser, cada sentimento feliz compartilhado, que chega a perturbar minha dona. Mas é inevitável. Eu sou feliz e quero que todos sejam felizes por isso!"

Ah, credo. Meu coração é muito mais feliz que eu. Quem sabe, talvez fôssemos uno nos tempos de infância, e quiçá ainda o sejamos quando em plena natureza e solidão. Sinceramente falando, nada me deixa mais feliz que estar sozinha em um terreno amplo, belo e cheio de vida, de verde. Mas isso é pra outra história.

Mio cuore, existe algo que você realmente deseja, que me faça querer satisfazê-lo parar não o ver triste, amado? E quem sabe, assim, eu posso voltar a me mover avante?

"Eu quero amigos, muitos amigos inteligentes que me amem =D"

...Algo mais?

"Quero que você dê um abraço naquele ~ser~"

Essa eu passo, algo mais, meu querido?

"Eu quero solidão na mata"

Essa já foi, já falei. Caralho, vei, fala algo útil!

"Eu gosto de praia e..."

Coração!

"Ah, eu gostava de física e matemática, era prazeroso... Por que você nunca mais se concentrou direito nessas artes naturais? =3"

É, né? Verdade. Eu não tenho estudado com o coração! Só com a mente. Mas por que? Por que você não se mete no meio e me dá aquele prazer imenso, novamente? Me fazia tirar notas melhores e até querer estudar mais!


"Para me usar, basta esquecer do mundo de fora e estar apenas no presente, seja pensando numa arte, seja sentindo um cheiro; seja criando um poema ou abraçando mamãe! Só se concentre naquilo! Você amará comigo =)"


Ai, coração, te amo!


"Não, eu me amo 8D"


Sim, isso! Lindo coração! Isso, seja voluntarioso, nos guie onde há sucesso!


"Não esqueça de dar 'aquele' abraçooo! heheh... Aproveita e faz um poema, uma música!"


Eu não vou dar abraço, coração. Mas por favor, não desista de mim! Continue insistindo nisso e em tudo mais!




E assim, me sinto sinceramente melhor... feliz!